sábado, 23 de maio de 2009

Educação para uma identidade humanizada

Educação para uma identidade humanizada
Jayme Fucs Bar – Jerusalém Maio 2009

"Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo".Paulo Freire

Acredito que a Educação tem como missão central, conscientizar pessoas para uma ação pedagógica; ação pedagógica de respeito à vida, respeito à natureza e à integridade humana.
O respeito à vida, à natureza e à integridade humana deverá ser o elo máximo que unifica os seres humanos neste planeta, independente de que cada um de nós estejamos caracterizados por um variado âmbito de identidades específicas:culturais, religiosas, nacionais; estruturas sociais, identidades sexuais, raças, etnias diferentes.
Devemos educar para a compreensão dessa identidade humana como forma de ajudar a promover a humanização do ser e do planeta, principalmente nestes momentos de grandes convulsões econômicas, ecológicas, religiosas, políticas e sociais, que afligem todos nos seres humanos.
Frei Beto muito bem disse “Uma rosa é uma rosa. Ninguém discorda. No entanto não há consenso de que uma pessoa é uma pessoa. Nazistas negam a judeus o direito à vida, assim como há judeus que se julgam superiores aos árabes, e árabes que assassinam cristãos que não comungam com suas crenças, e cristãos que excomungam espiritualmente judeus, muçulmanos, comunistas, homossexuais e adeptos do candomblé.”

Talvez nesse novo processo onde a cultura, a economia, as comunicações, e os pensamentos, estão se transformando numa simbiose global, e os conceitos de nações e de pátrias, estão enfrentando novos desafios, poderia a globalização ser um exemplo vivo de transformação dessas identidades específicas para a priorização de uma identidade humana.

Para que isso aconteça necessitamos inserir nesta sociedade globalizada, o conceito de Luis Razeto "sociedade global solidária" e mais justa, para que se possa criar de fato o sentido de pertinência à uma identidade humana mais homogênea, onde as dimensões étnicas, religiosas e nacionais ficariam minimizadas e muitas vezes anuladas, dentro da amplitude de uma sociedade global voltada para a humanização do ser e do planeta.
Entretanto a globalização não está conseguindo congregar um processo de formação e fortalecimento das identidades humanas como base para construir valores de solidariedade, respeito, e coexistência mútua. Ao contrário!
A globalização vem funcionando como um fator de modelação de uma nova identidade ideológica, que não tem como objetivo socializar seres humanos e integrá-los em uma sociedade solidária, justa e globalizada.
A globalização neste momento funciona maravilhosamente para criar uma identidade individualizada que atenda as necessidades do mercado, do lucro, onde ela se transforma numa poderosa ferramenta para ampliar a ganância, as guerras, a corrida atômica, o consumo e a competição entre indivíduos.Esta realidade global está cada vez mais, criando novas identidades de excluídos.

Excluídos sociais, excluídos ecológicos, excluídos do direito à educação, à saúde, à moradia e ao bem-estar social, excluídos do direito á água, ao ar, ao mar,aos rios não poluídos.
“Excluídos há e por todos os lados: pobres, desempregados,“inempregáveis”,sem-teto, mulheres, jovens, sem-terra, idosos/as, negros/as, pessoas com necessidades especiais, imigrantes, analfabetos/as, índios/as, meninos/as de rua... A soma das minorias acaba sendo a minoria maioria.”
(Pablo Gentile, Educar na esperança em tempos de desencanto, 2005 p. 31-32)
Será possível transformar o mundo, trasformar as pessoas ?

Sim! Eu pessoalmente acredito que seja possível! Mais para isso é necessário neste momento, fazer a revolução da conscientização humana. Revolução da conscientização humana é colocar o conceito de que o ser humano é o centro de todas as nossas manifestações, independente de nossas origens culturais, nacionais, religiosas, étnicas e sociais.

Devemos educar para o conceito onde devemos dizer "Sou um ser Humano antes de tudo", antes de ser judeu,brasileiro e israelense "sou um ser humano"! Minha lealdade máxima deverá ser sempre à esse conceito do homem como centro.

Estou aprendendo a me conscientizar com este conceito através de atos e diálogos simples com outros humanos, principalmente com aqueles que são de origens culturais, religiosas e nacionais " diferentes" da minha, Como um bom exemplo de aprendizado que tenho com um amigo beduíno, onde somos muitíssimo diferentes em nossas caracterizações culturais específicas, ele se define como beduíno, muçulmano, árabe, palestino e israelense.
Em nossas relações o que temos em comum e o que nos unifica é essa consciência de nossa identidade humana. Essa identidade se manifesta por coisas simples da vida, de nosso dia a dia como as festividades, as alegrias, a família e também as tristezas.

O dialogo se passa através do respeito mútuo e principalmente em saber não julgar que as suas manifestações culturais, religiosas e nacionais sejam melhores ou mais corretas do que a do outro.
Uma simples e sábia filosofia é colocar sempre o contexto humano como fator principal de nossas identidades, superando as nossas diversas identidades específicas.
Ter uma consciência da identidade humana e o que nos unifica e o que nos faz ser responsáveis uns pelos outros e não as nossas identidades específicas.
Identidades específicas criam sempre o abismo de nossas diferenças.
Pessoalmente defino essa identidade humana como definiu Freire " A identidade do ser inacabados, incompletos" e imperfeitos onde estamos numa constante busca para entender o que vem a ser nossa essência como seres humanos”.

Acredito que para transformar essa difícil realidade do planeta com suas guerras, suas violências, suas destruições ecológicas, necessitamos realizar a “Revolução da Consciência Humana”. Isso poderá acontecer somente no ato de que cada um realize uma mudança radical em sua própria forma de se relacionar com o "diferente".

Conscientizar da sua própria identidade humana ė colocar essa identidade como fator principal em nossas vidas, independente de nossas culturas, religiões ou nacionalidades.
A revolução da consciência da identidade humana poderá nos instrumentar para efetivar uma ação social e ecológica ampla para ajudar aos seres humanos a saírem do seu conformismo e acreditar que seja possível lutar para criarmos uma sociedade humana diferente,consciente do perigo de um possível holocausto social, atômico e ecológico.
Somente uma revolução da consciência da identidade humana, poderá ajudar a criar uma visão de mundo de esperança,para criar uma nova cultura humana, uma sociedade humana possível de se auto superar de uma ameaça quase eminente de auto destruição.

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